Sua construtora fatura bem mas o caixa nunca sobra porque, na maioria dos casos, o controle de contas a pagar e receber na construção civil não acompanha o ritmo real de cada obra.
O dinheiro que entra e o que sai ficam descasados, mesmo em meses de vendas fortes. Toda vez que um boleto grande vence, a corrida começa, mesmo com contratos fechados e obras andando bem.
A diferença entre faturar e ter caixa disponível
Faturar significa fechar contratos e emitir cobranças. Ter caixa disponível significa que esse dinheiro já entrou de fato na conta.
Entre um momento e outro, existe um intervalo, às vezes de semanas, às vezes de meses, em que a construtora precisa continuar pagando fornecedores, subempreiteiros e a folha, mesmo sem ainda ter recebido o que já vendeu.
Por que a inadimplência de clientes pesa mais na construção civil do que em outros setores
Prazos longos de obra e parcelamento de recebíveis
Diferente de um comércio que recebe à vista ou em poucos dias, uma construtora costuma receber por um contrato de obra em parcelas distribuídas ao longo de meses, muitas vezes vinculadas ao avanço físico ou a financiamento bancário do cliente.
Um atraso de 30 dias em uma parcela de R$40 mil pode não parecer grave isoladamente, mas se repete em duas ou três obras ao mesmo tempo, o impacto no caixa se soma rápido.
O cliente atrasa, mas o fornecedor e o subempreiteiro não esperam
Enquanto o recebimento do cliente pode atrasar sem consequência imediata para ele, o fornecedor de material e o subempreiteiro que já executaram o serviço esperam ser pagos na data combinada.
Essa assimetria de quem te deve pode esperar, quem você deve não pode, é o motor central do aperto de caixa em construtoras.
O efeito dominó: quando um atraso de recebimento trava o pagamento de outra obra
Sem um controle claro de qual dinheiro pertence a qual obra, é comum que o caixa de uma obra em dia seja usado para cobrir o atraso de outra. O problema é que essa segunda obra também tem compromissos programados, e o que parecia um ajuste pontual de caixa se transforma em uma cadeia de atrasos que vai se espalhando sem que o dono perceba a origem real do problema, porque no extrato bancário tudo aparece misturado.
Sinais de que sua construtora tem um problema de descasamento entre pagar e receber
Alguns sinais costumam aparecer antes do problema virar uma crise de caixa:
- Você recorre a empréstimo ou cheque especial em meses que, pelo volume de vendas, deveriam estar tranquilos.
- É difícil dizer, sem consultar o contador, quanto de fato está a receber de clientes neste momento.
- O pagamento de um fornecedor às vezes é adiado “só esse mês”, e isso já aconteceu mais de uma vez nos últimos meses.
Se um ou mais desses sinais soam familiares, o problema não está em faturar mais. Está em enxergar com clareza o que entra e o que sai, obra por obra.
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